Mona Lisa - tentando desvendar um grande enigma


Um dos enigmas envolvendo a mais famosa obra de Leonardo DaVinci e que sempre fascinou os pesquisadores, envolve a indentidade da "modelo" que inspirou DaVinci. Agora, uma equipe de pesquisadores liderados pelo historiador de arte italiano Silvano Vincetti suspeita que Lisa Gherardini, que foi casada com um rico comerciante de seda, é a Gioconda.

Os pesquisadores vão dar mais um passo para tentar descobrir um dos maiores enigmas da História da Arte - quem é a mulher retratada no famoso quadro de Leonardo da Vinci. A equipe liderada pelo historiador de arte italiano Silvano Vincetti está convencida de que, analisando os restos mortais de Lisa Gherardini, conseguirá determinar se ela foi ou não a "modelo" do pintor.

Um certificado de óbito recentemente descoberto indica que a mulher, esposa de Francesco del Giocondo, um rico comerciante de seda de Florença e figura proeminente no governo florentino, teria morrido em 1542 e foi enterrada no mosteiro de Sant'Orsola, em Florença. As escavações para encontrar os restos mortais começarão no final deste mês. Silvano Vincetti garante que vão ser usadas técnicas científicas específicas para tentar extrair o DNA dos restos mortais e depois para reconstruir a sua face.

"Podemos colocar um ponto final numa disputa de séculos e compreender também a relação de DaVinci com os seuas modelos", disse o historiador à AFP. "Para ele, pintar também significava conceber uma representação física dos traços interiores das suas personalidades", acrescentou. O grupo de pesquisadores, liderado por Silvano Vincetti, já reconstruiu rostos de alguns artistas a partir dos seus esqueletos, apesar dos críticos defenderem que o método, quando aplicado a ossos enterrados há vários séculos, pode ser inconclusivo.

O especialista acredita que Lisa Gherardini serviu de "modelo" inicial para o retrato, mas que DaVinci teria, posteriormente, sido influenciado pelo rosto de uma jovem aprendiz e amante. Devido a um passado conturbado que envolveu roubos, ataques com ácido e estadas no quarto de Napoleão, a Mona Lisa teve de ser restaurada várias vezes e exames de raio-X à obra mostram que existem pelo menos três versões escondidas atrás da atual. A tese de Vinceti também é defendida por cientistas alemães da Universidade Heidelberg, que afirmam ter encontrado um documento onde há uma clara referência ao fato do retrato de Lisa Gherardini estae sendo pintado por DaVinci. As anotações foram feitas por Agostino Vespucci, em 1503, e indicam que a mulher dera à luz recentemente e que a pintura tinha como objetivo comemorar o nascimento deste filho.

Já a cientista norte-americana dos laboratórios Bell, Lillian Schwartz, defende, com base na análise digital das características faciais de Leonardo e os traços da "modelo", que a Mona Lisa é um auto-retrato do pintor, mas vestido de mulher. No livro de Schwartz, "Leonardo's hidden face"- "A face oculta de Leonardo" (traduçã livre) - lançado em 2007 e escrito em co-autoria com Renzo Manetti e Alessandro Vezzosi, a cientista argumenta que o quadro, inicialmente pensado como um auto-retrato real, acabou por se transformar numa imagem ideal, na face oculta de Leonardo, no espírito-guia que, segundo a tradição "Renascentista", é alegoricamente representado por um anjo feminino, ou seja, pela natureza feminina.

E é talvez devido à "partida" que Leonardo prega sistematicamente a quem olha para Mona Lisa que se deve ao seu sorriso dúbio, sujeito às mais variadas interpretações. De acordo com um algoritmo desenvolvido pela Universidade de Amesterdã, na Holanda, em parceria com a Universidade de Illinois, nos EUA, o sorriso da modelo mostra uma mulher 83% feliz, 9% enjoada, 6% aterrorizada e 2% incomodada. Já Sigmund Freud interpretou a expressão como uma atração erótica de Leonardo pela mãe, Catarina. O historiador alemão Maike Vogt-Lürssen defendeu que a "modelo" é Isabel de Aragão, duquesa de Milão, e o sorriso infeliz deve-se ao fato de o seu marido ser, alegadamente, impotente, alcoólatra e agressivo.

Mas a hibridez da Mona Lisa não se restringe apenas à modelo retratada. A própria tela conjuga, segundo especialistas, os dois gêneros. Uma observação mais atenta permite constatar que vista do lado direito parece mais volumosa que do lado esquerdo. Historicamente, os conceitos de masculino e feminino estão ligados aos lados direito e esquerdo, respectivamente. A Mona Lisa, pintada entre 1503 e 1505, encontra-se exposta no Museu do Louvre, em Paris.


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