Japão fecha usina nuclear por precaução contra possível terremoto


O governo japonês ordenou nesta sexta-feira (06/05/2011) o fechamento temporário de uma usina nuclear a sudoeste de Tóquio como precaução contra possíveis danos causados por um terremoto previsto para atingir a área nos próximos 30 anos. O primeiro-ministro, Naoto Kan, disse que as atividades de três reatores da usina de Hamaoka devem ser suspensas até que novas medidas de segurança sejam aplicadas.

Kan exigiu que sejam apresentadas garantias de que o local poderia resistir a grandes terremotos e tsunamis antes de ser reaberto.

"As autoridades relevantes, incluindo o Ministério da Ciência, mostraram que a possibilidade de um terremoto de magnitude 8 atingir a área de Hamaoka nos próximos 30 anos é de 87%", disse Kan.

Usina Nuclear de Hamaoka

A usina nuclear de Hamaoka está licalizada na cidade de Omaezaki, Província de Shizuoka, e é administrada pela empresa Chubu Electric Company, terceira maior companhia elétrica do Japão, que havia anunciado a implementação de várias medidas de segurança para esta usina, dentre estas medidas incluía a construção de um muro de proteção em volta de toda a usina com 15 m de altura - o da usina de Fukushima Daiichi possuia 14 m que foi facilmente encoberto pelo Tsunami ocorrido após a grande catástrofe do dia 11/03/2011.

Conforme dados oficiais a usina foi projetada e construída para suportar terremotos de ate 8,5 graus na escala Richter - o maior terremoto registrado na região aconteceu em 1854 e atingiu 8,4 graus na escala Richter - mas o terremoto que causou a crise de Fukushima Daiichi, localizada a pouco mais de 350 km ao norte de Hamaoka, foi de 9,0 graus na escala Richter, ou seja, 500 vezes acima do que a Usina de Hamaoka é capaz de suportar.

A usina faz parte de um complexo responsável pelo fornecimento de energia elétrica para importantes pólos da industria automobilística japonesa localizados nas Províncias de Shizuoka e Aichi, a sua paralisação com certeza afetará bastante o nível de produção das principais montadoras de veículos do Japão.

Apesar de existirem outras usinas nucleares na região, a decisão de fechar temporáriamente esta usina baseia se no fato da mesma ter sido construída muito próxima do um ponto considerado bastante crítico pelos especialistas em sismologia, uma região aonde acontece o encontro de 4 placas tectônicas (Placa Tectônica do Pacifico, Placa Tectônica das Filipinas, Placa Tectônica Euro-asiática e Placa Tectônica Americana), local do epicentro de um outro grande terremoto, ocorrido no dia 01 de Setembro de 1923, que matou mais de 200 mil pessoas - veja as fotos desta targédia Clicando aqui neste link - considerado até hoje como a maior tragédia natural ocorrida neste País e a grande responsável pela mudança da mentalidade nacional no que diz respeito às forças brutas da natureza.



Localização de Hamaoka em relação às Placas Tectônicas. Clique na foto para vê-la em tamanho normal.



A área sombreada em vermelho é considerada de enorme risco pelos especialistas em sismologia e mostra o epicentro do grande terremoto de 1923.

Polêmica

Apesar da decisão do Primeiro Ministro Naoto Kan ter sido a mais prudente e sensata, muitos setores da sociedade japonesa estão protestando desta decisão sob o argumento de que os efeitos colaterais econômicos abalarão mais ainda a já combalida economia japonesa. A paralisação da Usina Nuclear de Hamaoka obrigará a empresa adminstradora da usina, Chubu Electric Company, a adotar medidas de racionamento de energia em uma região dominada pela indústria automobilística japonesa. A maioria destas empresas já anunciou que serão forçadas a reduzir seus ritmos e volumes de produção e até mesmo suas jornadas de trabalho.

A verdade é que ninguém conseguiu ainda avaliviar o impacto desta medida em toda a cadeia produtiva nacional de um País cuja indústria automobilística possui em peso muito prepondarante na pauta de exportação e os reflexos disto podem atingir fábricas espalhadas ao redor do mundo, fato que pode ser constatado após o grande terremoto de 11/03/2011.

Uma decisão indiscutivelmente correta do ponto de vista técnico e preventivo mas bastante polêmica do ponto de vista político e apesar do enorme apoio popular colocou o governo do Primeiro Ministro Naoto Kan - que tem declarado repetidas vezes que "não basta reconstruir, é preciso construir um novo Japão" - em uma rota de colisão e uma queda-de-braço com as forças industriais que dominam a economia japonesa, é esperar para ver o desfecho final desta briga.


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