O futuro do Skype


Bem, todos souberam da notícia: a Microsoft vai comprar o Skype por US$ 8,5 bilhões. Trata-se da maior quantia já gasta pela Microsoft numa aquisição.

Os analistas — aqueles que consideram o acordo uma boa ideia — dizem que a Microsoft poderá usar a tecnologia de transmissão de voz e vídeo do Skype para incrementar seus próprios produtos, como o Windows e o Kinect.

Mas esta me parece uma análise bem estranha, pois o Windows e o Kinect já contam com recursos de transmissão de voz e vídeo. Por acaso eles se esqueceram do NetMeeting e do Windows Live Messenger?

A diferença, é claro, está no fato de que ninguém usa estes programas. O Skype, por sua vez, é usado por 170 milhões de pessoas todos os meses e, deste número de usuários, 9 milhões chegam a pagar pelo serviço. (É cobrada uma taxa quando fazemos chamadas de voz para números fixos de telefone em lugar de outros computadores e celulares.)

“Eles contam com uma grande presença entre os consumidores”, disse Ballmer numa entrevista publicada pelo New York Times. “E, como se diz por aí, o Skype já se tornou um verbo.”

E o mesmo pode ser dito a respeito da palavra “Google”. Eu diria que a decisão de comprar o Skype foi tanto uma forma de dizer “veja só o que temos, Google!” quanto uma parte da estratégia tecnológica da Microsoft.

Faço uma expressiva careta sempre que uma desajeitada corporação gigante compra um produto tecnológico popular. Este tipo de negócio quase nunca funciona. Os executivos da empresa adquirida recebem uma quantia imensa; promessas são feitas a todos garantindo que terão liberdade para trabalhar com independência; e então, em questão de um ou dois anos, o produto some completamente do mapa. Sem motivo aparente, uma pequena estrela se apaga no firmamento das empresas de tecnologia.

O Yahoo comprou o GeoCities, o Broadcast.com, o LogMeIn, o HotJobs.com, o MusicMatch, o Konfabulator e o Upcoming. A AOL comprou a CompuServe, o Netscape e o Xdrive — empresas e produtos que agora desapareceram ou se tornaram irrelevantes. A Cisco comprou a câmera Flip, e então decidiu assassiná-la no mês passado.

Mas e quanto à Microsoft? Sua lista de aquisições inclui nomes como o serviço Sidekick (Danger), o Groove, o PlaceWare, o Massive, o LinkExchange e a WebTV. A Microsoft pôs fim a todos estes produtos e serviços comprados.

(Como destaca meu seguidor no Twitter @jhaft, “Microsoft = Rei Midas ao contrário”.)

O que quero dizer é que este tipo de negócio me deixa cético. A jogada me parece mais o gesto de um gorila de 200 quilos do que uma medida que terá como resultado benefícios concretos para os usuários.

Não surpreende que, na noite em que a compra do Skype pela Microsoft foi anunciada, meus seguidores no Twitter tenham imediatamente dado início a uma rodada de piadas envolvendo a Microsoft. Eis aqui uma seleção das melhores:

@okc_dave: Devem ter encontrado um troco perdido no sofá.

@BeckJeffrey: Acho que podemos esperar o lançamento do Skype 2011 daqui a alguns anos.

@loyalmoses: Em lugar de “Me manda um Skype”, começaremos a dizer “Me manda um Microsoft”… Mas me sinto sujo dizendo uma coisa dessas.

@macsmarts: A compra do Skype pela Microsoft é como o capitão do Titanic usar seus últimos momentos para mandar um SOS pedindo um rádio sobressalente.

@Sandydca: Ao menos as chamadas para o suporte técnico em Bangalore serão feitas com tarifa promocional.

@Vikster: No começo a Microsoft ficou indecisa. Mas o Skype a conquistou com uma vulnerabilidade de segurança não corrigida.

@LunaticSX: O primeiro detalhe que a MS vai anunciar sobre seus planos para o Skype será a integração com celulares Kin, câmeras Connectix e a WebTV.

@cjkm: Skype Edição Starter Para Usuários Incapazes; Skype Edição Blogueiro Amador; Edição Prisioneiro do Cubículo; Edição Aposente-o-número-fixo…

@Checkw: Agora o Windows pode chamar o suporte técnico por conta própria!

@xriva: Microsoft Skype: A Tela Azul da Voz.

@bryanroutledge: Para chamar, pressione Ctrl-Alt-Del…

@2jase: A Microsoft comprou o Skype? Teremos um ChatRoulette com o tambor inteiro carregado.

@ericfgould: Agora terei de fazer login usando minha conta do Windows LiveHotmailSejaláoquefor, que não uso desde os tempos do Internet Explorer 6.

@tiffbrownolsen: Por acaso isto significa que o Skype vai parar de funcionar direito?

Quando pedi aos meus seguidores que se esforçassem para encontrar algo de positivo para comentar sobre a compra, @psdlund pensou bastante e respondeu com: “Ao menos não foi a Cisco que comprou o Skype”.

(Mas o melhor de todos os tweets chegou na manhã seguinte, vindo de Frank Shaw, principal responsável pelas relações públicas da Microsoft. “@fxshaw: Dá pra ver que David Pogue ainda não acordou, pois ele não está retransmitindo tweets sarcásticos envolvendo a Microsoft e o Skype”.)

Às vezes, compras como esta se mostram vantajosas. Alguns dos produtos e serviços adquiridos pela Microsoft sobreviveram, mesmo que sejam pequenos ou que não proporcionem lucro: HotMail, Visio e TellMe, por exemplo. E os US$ 200 milhões que a Microsoft pagou para ficar com o PlaceWare trouxeram um resultado útil: o NetMeeting, programa de bate-papo via voz e vídeo que concorre com o Skype. (Ei, espere aí.)

Assim, podemos acrescentar o Skype à lista de aquisições que levaram ao seio de uma corporação gigantesca um produto querido pelos consumidores. Será que a Microsoft acabará desativando o Skype, como ocorreu com tantas de suas aquisições?

Vamos marcar um reencontro para daqui a dois anos e comparar nossas impressões.

Fonte: David Pogue


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