Tuberculose resistente a todos os antibioticos.


Durante muitos anos a ""Tuberculose foi considerada uma doença incurável e terrível doença e o advento dos "Antibióticos" mudou radicalmente esta realidade. Mas ao longo do século passado o uso incorreto e indiscriminado dos "Antibióticos" fez com que as
"bactérias da tuberculose" desenvolvessem um "altíssimo grau de resistência" aos "Antibióticos" conhecidos.

Desde 1960, dois tipos de "Antibióticos" - "Isoniazida" e "Rifampicina" - ter sido largamente utilizados no tratamento da ""Tuberculose comum.

O aparecimento de ""Tuberculose Multi-Resistente passou a exigir que um "Cocktail" composto de muitos "Antibióticos" fossem utilizados no seu tratamento.

Embora episódios de resistência tenham surgido periodicamente, durante os anos 1990 a incidência de "resistência a múltiplas drogas" cresceu significativamente, a partir de 2006 os pesquisadores passaram a se referir a este tipo de ""Tuberculose como a "tuberculose extensivamente resistente aos medicamentos (XDR-TB)" (XDR-TB). Dados de vigilância da OMS indicam que a XDR-TB está presente em pelo menos em 58 países, com uma estimativa de 25.000 casos/ano.

Agora, médicos na Índia identificaram, em Mumbai, uma "Cepa" de "tuberculose incurável", levantando preocupações sobre o aumento ainda maior da resistência da bactéria da tuberculose aos medicamentos, até o momento apenas 12 pacientes foram diagnosticados com o vírus , mas é provável que eles sejam apenas a "ponta do iceberg" em termos de pessoas infectadas.

Embora os relatórios mais recentes classifiquem estas bactérias como uma "nova entidade", os pesquisadores acreditam que se trata de um típico caso de "mutação genética" de um vírus que assola a humanidade a muitos anos.

A descoberta faz da Índia o terceiro país em que uma forma "completamente resistentes à drogas" da doença surgiu, na sequência de casos documentados na Itália em 2007 e Irã em 2009.

Os dados sobre a doença, batizada de "tuberculose totalmente resistente a drogas" - sigla em ingles (TDR-TB) - são escassos, e os dados oficiais não fornecem uma indicação adequada sob a extensão e a gravidade do problema. "Giovanni Migliori", diretor da "Organização Mundial da Saúde (OMS)" do "Centro de Pesquisas da Tuberculose e Doenças Pulmonares" em Tradate, Itália, é um dos pesquisadores que defende a tese de que a "TDR-TB" é uma iteração mais mortal das formas altamente resistentes de "Tuberculose" que têm sido cada vez mais relatadas nas últimas décadas. A "TDR-TB" "não é algo totalmente novo", diz ele.

"Mitnick Carole" epidemiologista da "Harvard Medical School", em Boston, Massachusetts, é outra pesquisadora que acredita na tese de que a "TDR-TB" não é nova, e cita a história da XDR-TB. "Quando "XDR-TB" foi inicialmente detectada, era um fenômeno que já existia mas que não tinha conseguido chamar muita atenção antes. "Tuberculose", em geral, não recebe muita atenção", diz ela.

O caso Italiano


Os pacientes foram diagnosticados pelos médicos locais e tratados com repetidas rodadas de drogas contra a "tuberculose normal" - três rodadas cada - antes que alguém percebesse que "algo de incomum estava acontecendo". Eles foram internados separadamente no Hospital Morelli com o que um jornal local chamou de "um quadro clínico muito grave (extended cavidades bilateral)", significa que a infecção tinha corroído partes do tecido de seus pulmões, deixando vazias as zonas mortas. (Se você desejar ver o quadro clínico, aqui estão algumas imagens de patologia).

A primeira paciente havia contraído a "TDR-TB" de sua mãe e a transmitiu para sua filha de 14 anos de idade. Ela foi tratada em três hospitais diferentes, com "17 antibióticos diferentes", por um período de 422 dias ou 14 meses - e tomou medicamentos contra "tuberculose normal" durante 94 meses (7 anos e 10 meses) antes de falecer. A segunda mulher - não está claro se ela tinha algum tipo de coligação com a primeira vítima - estava em um outro hospital antes de ser admitida em uma instituição especializada no tratamento da "Tuberculose" em Sondalo. Seu tratamento hospitalar levou 625 dias (1 ano 8 meses e 20 dias) e envolveu também "17 diferentes tipos drogas". Depois que ela recebeu alta, ela ficou em um regime de tratamento domiciliar por 60 meses antes de falecer vitimada pela "TDR-TB".

A filha de 14 anos da primeira paciente sobreviveu a "TDR-TB"... mas só depois de 3 anos de tratamento constante e de ter parte do pulmão retirado cirurgicamente. Estes casos, e os do Irã são exemplos típicos de como é importante a "eliminação completa" da bactéria no tratamento da tuberculose para evitar o aparecimento de cepas mais resistentes surjam. A "Organização Mundial de Saúde (OMS)" declarou no ano passado que um terço dos países que abrigam "cepas resistentes a qualquer um dos medicamentos", não possue uma tecnologia adequada para poder detectar o grau de resistência da cepas encontradas nestes países.

Tratamentos Inadequados


Parte do aumento desta resistência aos medicamentos está relacionada às complicações que surgem no tratamento de pacientes que também estão infectados com o HIV - 13% dos casos de tuberculose, segundo a OMS. No entanto, a maior deste aumento está relacionada à problemas com o tratamento inadequado da doença.

Embora a OMS defina a tuberculose como uma "doença da pobreza", a "TDR-TB" poderia ser entendida como uma consequencia de um tratamento mal efetuado. De acordo com um relatório de 2011 da OMS, menos de 5% dos pacientes portadores de tuberculose, recém-diagnosticados ou tratados anteriormente, são testados para saber o seu grau de resistência aos medicamentos. E estima-se que apenas 16% dos pacientes com "TDR-TB" está sendo tratado adequadamente.

"Os dados ilustram uma história de má gestão", afirma "Migliori. "A resistência é provocada pelo próprio ser humano, causada pela exposição ao tratamento errado, o regime errado, a duração do tratamento errado."

Num processo de tratamento de tuberculose, muitos fatores contribuem para que a doença não seja devidamente curada curada ou a bacteria se torne resistente ao tratamento. O uso indevido de drogas ou sua má gestão pode resultar no fato de um paciente não seguir o curso completo do tratamento a ser ministrado, ou se os medicamentos corretos não estiverem disponíveis ou pacientes com "TDR-TB" não forem diagnosticados incorretamente acabam sendo submetidos a terapias inapropriadas.

Parte do problema também se refere ao testes de tuberculose. A OMS recomenda que seja efetuada uma "Baciloscopia", um teste desenvolvido há mais de cem anos atrás, como o diagnóstico padrão. Apesar de ser barato, este método é propenso a dar resultados "negativos falsos", não fornece informações sobre a "sensibilidade às drogas", e os resultados dos testes podem levar várias semanas - uma grande janela de tempo para que potencializa os riscos de um paciente acabar sendo medicado erradamente ou dele acabar transmitindo a infecção. No entanto, em 2010, a OMS aprovou um novo teste rápido e totalmente automatizado, conhecido como "Xpert", que avalia a resistência à "Rifampicina", uma droga de primeira linha. A partir de Julho de 2011, 26 países estão usando "Xpert" e 145 são elegíveis para adquirirem os "kits" a um preço reduzido.

Carência de drogas


O fato de que nenhuma nova droga de primeira linha contra a tuberculose ter sido desenvolvida durante meio século, com certeza contribuiu bastante para o surgimento de "cepas" que não respondem ao tratamento, diz "Mitnick". "Se você continuar usando as mesmas drogas por um longo período de tempo, é inevitável que a resistência do virus aumente."

"Tuberculose" está atrás apenas do "HIV" como a principal causa mundial de morte por "doença infecciosa". Apesar de todo este seu impacto sobre a saúde humana e o crescimento econômico, não é classificada como uma das prioridades da indústria farmacêutica.

"A indústria farmacêutica tinha pouco interesse pela tuberculose por décadas", diz Richard Chaisson, diretor do Center for Research TB da Johns Hopkins School of Public Health, em Baltimore, Maryland. "A indústria farmacêutica praticamente concluiu que este não era um mercado atraente e que não havia lucro suficiente em potencial."

Mas com um número crescente de parcerias público-privadas em pesquisa, diz Chaisson, o interesse da indústria farmacêutica tem sido de "uma ordem de magnitude maior do que era há uma década".

A partir de 2011, haviam 11 novos medicamentos contra a tuberculose e algumas pesquisas em laboratórios que têm o potencial para combater ou encurtar a duração do tratamento/terapia da "TDR-TB". Atualmente, existe uma pesquisa, feita pela "Bayer" em parceria com a "Aliança Global para o Desenvolvimento de Medicamentos contra a Tuberculose (TB Alliance)", que encontra-se na sua fase final de avaliação e testes, para saber se o seu antibiótico "moxifloxacina" pode ajudar a reduzir a duração da terapia padrão da "TDR-TB" de 6 meses a 4. A "Tibotec", também em parceria com a "TB Alliance", está em ensaios clínicos de fase II para um produto que pode ser útil no tratamento de formas resistentes aos medicamentos.


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