Terremotos no Brasil


Terremotos de mais de 5 graus na escala Richter acontecem no Brasil, em média, a cada cinco anos, de acordo com o IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP. Na noite de 22 de Abril de 2008 um terremoto de 5,2 graus na escala Richter assustou a população de cidades de ao menos quatro Estados. O tremor ocorreu a 215 km de São Vicente, local cortado por uma falha geológica. A região onde está localizado o epicentro do terremoto é um foco comum de tremores, de acordo com o Laboratório de Sismologia do IAG.

Segundo o técnico de sismologia José Roberto Barbosa, os tremores na região ocorrem devido à acomodação dessas falhas.

"A tensão vai se acumulando conforme eles [os lados opostos da falha] vão atritando. Essa tensão é liberada em forma de tremor", explica Barbosa.

A diferença entre o tremor do dia 22 Abril e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma magnitude pouco comum para o território nacional, de 5,2 gruas na escala Richter.

Na costa brasileira, terremotos de mais de 5 graus a cada 15 ou 20 anos, segundo Marcelo Assumpção, professor do Laboratório de Sismologia do IAG. O último terremoto desta magnitude na costa do Brasil ocorreu há 16 anos, próximo ao Rio Grande do Sul. Outros ocorreram em 1939 em Santa Catarina, em 1955 no Espírito Santo e em 1972 no Rio.

O terremotos brasileiros são de baixa magnitude devido à posição do país em relação às placas tectônicas (no centro da placa sul-americana). Os tremores acabam sendo mais fracos, mas, por outro lado, são mais superficiais.

A baixa profundidade do epicentro pode agravar o efeito dos tremores, segundo Barbosa. "Quando a profundidade é baixa a movimentação das placas chega com mais força à superfície podendo causar mais estragos", explica Barbosa.

Esse é um dos fatores que explica, por exemplo, os danos causados pelo terremoto que atingiu Itacarambi (norte de Minas) no ano passado. O tremor, de 4,9 graus na escala Richter, derrubou casas e causou a morte de uma menina de 5 anos, a primeira e única ocorrência do tipo no Brasil.


Em 2007, um tremor chegou a atingir 6,1 graus na escala Richter (segunda maior magnitude registrada no Brasil) no Acre. Mas, como ocorreu a cerca de 500 km de profundidade, quem vive na área envolta do epicentro do tremor nem sentiu os abalos. O maior terremoto já ocorrido no Brasil foi em 1955, na cidade de Porto dos Gaúchos, em Mato Grosso, que atingiu 6,2 graus na escala Richter. Em outros casos o abalo tem uma magnitude mais alta, mas é menos sentido devido à profundidade do epicentro.

Costuma-se ouvir que o Brasil é um país geologicamente estável, livre dos perigos da natureza como terremotos, vulcões e tsunamis, que ocorrem frequentemente nos países andinos vizinhos. Mas o evento relatado nos ensina que estabilidade é diferente de imobilidade e nos alerta a uma outra realidade, que envolve escalas de tempo e espaço fora da nossa perspectiva usual. Durante uma vida humana, por exemplo, pouco se notam as mudanças da Terra (planeta), assim como um inseto, cujo ciclo de vida é de apenas duas semanas, não pode acompanhar o crescimento da árvore onde habita. Guardadas as devidas proporções, assim se parece nosso planeta aos olhos humanos.

A Terra é um planeta dinâmico, em contínua transformação, resultado de processos que atuam em escala temporal de milhares, milhões e bilhões de anos e envolvem continentes, crosta e manto. Se ao longo de toda a sua história a Terrra tivesse sido fotografada do espaço a cada mil anos, e se estas imagens surrealistas fossem transformadas num filme, veríamos a superfície do planeta em constante mutação, com os continentes se deslocando, colidindo e se fragmentando, cadeias de montanhas se elevando e sendo erodidas e os mares avançando sobre os continentes para, logo em seguida, recuarem novamente.

Por ocupar grande parte da América do Sul com rochas muito antigas e sem vulcões ativos, e por não se conhecer a ocorrência de sismos destrutivos, o Brasil era considerado um território sem atividades sísmicas. Contudo, no início da década de 1970, estudos sismológicos mostraram que a atividade sísmica no Brasil, apesar de produzir tremores de baixa intensidade, não pode ser negligenciada.


TAGs: , ,

0 comentários:

Postar um comentário