Japão - Terremotos E Tsunamis.

A compreensão da história sísmica do Japão exige uma imersão na complexidade geológica de um arquipélago situado na confluência de quatro placas tectônicas principais: a Placa do Pacífico, a Placa do Mar das Filipinas, a Placa Euroasiática e a Placa Norte Americana (Placa de Okhotsk).

Esta configuração geodinâmica única não apenas define a paisagem física do país, mas também moldou sua trajetória social, econômica e tecnológica ao longo de mais de um milênio.

Com aproximadamente 18,5% de todos os terremotos globais de magnitude superior a 6,0° ocorrendo em seu território, o Japão transformou a vulnerabilidade em uma fronteira de inovação, desenvolvendo sistemas que hoje servem como padrão ouro para a mitigação de desastres em escala planetária.

Este artigo foca em eventos sísmicos e tsunamis mais significativos, as inovações em engenharia e os sistemas de alerta que emergiram das lições impostas por esses eventos.

A documentação histórica japonesa é uma das mais ricas do mundo, permitindo que sismólogos contemporâneos rastreiem ciclos de megaterremotos de subducção que remontam ao século VII.

O primeiro evento registrado com clareza científica sobre a correlação entre tremores de terra e ondas oceânicas foi o terremoto de Hakuhō, ocorrido no dia 29 de novembro de 684 d.C..

Com uma magnitude estimada em 8,4° MK (escala Kawasumi), este sismo na Fossa de Nankai causou a submersão de vastas áreas agrícolas e é reconhecido como o ponto de origem da compreensão japonesa sobre tsunamis.

A causa primária dos grandes terremotos no Japão é o processo de Subducção, onde uma placa tectônica (geralmente a oceânica, mais densa) desliza ou "afunda" por debaixo de outra placa (geralmente a continental, menos densa).

O mecanismo principal que gera os grandes terremotos é a Subducção da Placa do Pacífico, que é mais densa, e está continuamente "afundando" ou deslizando por baixo da Placa Euroasiática (onde o Japão está assentado).

O movimento contínuo da placa do Pacífico não é suave; as áreas na zona de subducção ficam presas devido ao atrito. Essa região bloqueada acumula uma imensa quantidade de energia de tensão ao longo do tempo.

Quando a tensão acumulada excede a resistência das rochas, ocorre uma ruptura repentina (o deslizamento rápido da placa). Essa liberação de energia sísmica é o que sentimos como um terremoto.

Desenho ilustrativo do mecanismo de um terremoto de subducção
📏Magnitude e Intensidade Sísmica.

As escalas de magnitude sísmicaLeia mais na Wikipedia são usadas para descrever a força geral ou o "tamanho" de um terremoto. Elas se distinguem das escalas de intensidade sísmica, que categorizam a intensidade ou severidade do tremor de terra (abalo) causado por um terremoto em um local específico.

A magnitude é uma estimativa do "tamanho" relativo ou da força de um terremoto e, portanto, seu potencial para causar tremores de terra. Está "aproximadamente relacionado com a energia sísmica libertada".

A intensidade refere-se à força ou intensidade do tremor em um determinado local e pode ser relacionada à velocidade máxima do solo.

Para mais detalhes sobre tipos e nomenclaturas, tanto para Magnitude quanto para Intensidade, sugerimos consultar o artigo detalhado publicado na Wikipedia.

🌊O mecanismo de formação dos TSUNAMIS.

A maioria dos grandes sismos no Japão é causada por esse movimento entre as placas (terremotos interplacas). Sismos também podem ocorrer dentro de uma única placa devido às tensões geradas pelo movimento geral (terremotos intraplacas).

Terremotos Interplacas é a causa dos sismos de maior magnitude (M > 8.0). Quando a tensão acumulada excede a força das rochas, a área bloqueada se rompe. A placa superior (continental) salta de volta para sua forma original (o "ressalto elástico"), e a energia é liberada de forma súbita. Se isso ocorrer no fundo do oceano, a grande movimentação do assoalho marinho é o que causa o tsunami.

Os Terremotos Intraplacas ocorrem dentro da própria Placa Euro-asiática ou Norte-Americana. A tensão e a compressão causadas pelo movimento das placas oceânicas circundantes também geram rachaduras e falhas na placa continental. Esses sismos tendem a ocorrer em profundidades mais rasas, mais próximos das áreas povoadas, podendo causar danos significativos.

A maioria dos tsunamis devastadores que atingem o Japão é uma consequência direta dos grandes terremotos submarinos, devido ao mecanismo de subducção.

O principal gatilho é o movimento vertical do leito marinho, que só acontece em grandes falhas de impulso ou cavalgamento com o rompimento da falha (Terremoto), provocando o movimento de "ressalto" da placa continental que ocorre no momento do terremoto.

A porção do assoalho oceânico mais próxima da trincheira salta para cima (soerguimento ou elevação brusca) e a porção logo após essa linha, mais próxima da costa, pode afundar para baixo (subsidência ou rebaixamento brusco).

O movimento vertical da crosta terrestre desloca instantaneamente a massa de água acima dela. O soerguimento empurra a água para cima, e a subsidência puxa a água para baixo.

A água, buscando reequilíbrio sob a força da gravidade, gera uma série de ondas muito longas e poderosas que se propagam pelo oceano a velocidades de um avião a jato (centenas de km/h) - o TSUNAMI.

A costa do Pacífico do Japão é banhada por limites de placas tectônicas, cada um formando um profundo vale no mar, com a Fossa do Japão, a Fossa de Sagami e a Fossa de Nankai situadas ao longo da costa.

Grandes terremotos ocorreram sob essas fossas, resultando em tsunamis que se espalharam pela costa das ilhas japonesas. À medida que esses mega tsunamis varriam a terra, destruíram vilarejos, plantações e outras estruturas, e mataram milhares de pessoas.

Tabela da de Intensidade Sísmica (SHINDO) - JMA.

A Agência Meteorológica do Japão, (JMA) criou uma primeira escala shindo em 1884, com quatro graus: 微 (frouxo), 弱 (fraco), 強 (forte), e 烈 (violento). Em 1898 esta escala foi trocada por um sistema numérico, atribuindo aos sismos graus entre 0 e 7.

A escala Shindo é usada para medir terremotos pela intensidade sísmica em vez da magnitude. Isso é semelhante à escala de intensidade Mercalli Modificada usada nos Estados Unidos, à escala Liedu usada na China ou à Escala Macrossísmica Europeia (EMS), o que significa que a escala mede a intensidade de um terremoto em um determinado local em vez de medir uma fonte de energia que um terremoto libera em seu epicentro (sua magnitude), como faz a escala Richter.

Confira nesta pagina ilustrativa publicada pela JMATabela Shindo - JMA. sobre o grau dos tremores em cada nivel da Tabela SHINDO.

📜Lista de terremotos e Tsunamis.

Esta é uma lista de terremotos e tsunamis no Japão com magnitude igual ou superior a 7,0 que causaram danos significativos ou vítimas.

A magnitude é medida na escala Richter (ML), na escala de magnitude de momento (Mw) ou na escala de magnitude de onda superficial (Ms) para terremotos muito antigos. A presente lista não é exaustiva e, além disso, dados de magnitude confiáveis ​​e precisos são escassos para terremotos que ocorreram antes do desenvolvimento de instrumentos de medição modernos.

📚O Histórico dos Registros.

Embora haja menção de um terremoto em Yamato, na atual província de Nara, em 23 de agosto de 416 (Calendário Juliano), o primeiro terremoto a ser documentado com segurança ocorreu na província de Nara em 28 de maio de 599 (Calendário Juliano), durante o reinado da Imperatriz Suiko, destruindo edifícios em toda a província de Yamato.

Existem muitos registros históricos de terremotos no Japão. O Comitê Imperial de Investigação de Terremotos foi criado em 1892 para realizar uma compilação sistemática dos dados históricos disponíveis, publicada em 1899 como o Catálogo de Dados Históricos sobre Terremotos no Japão.

Após o Grande Terremoto de Kantō de 1923 , o Comitê Imperial de Investigação de Terremotos foi substituído pelo Instituto de Pesquisa de Terremotos em 1925.

Nos tempos modernos, os catálogos compilados por Tatsuo UsamiÉ um sismólogo japonês. Suas áreas de especialização são sismologia teórica e sismologia histórica. Ele possui um doutorado em ciências pela Universidade de Tóquio em 1960 e é professor emérito da Universidade de Tóquio. são considerados a fonte de informação mais confiável sobre terremotos históricos, com a edição de 2003 detalhando 486 terremotos que ocorreram entre 416 e 1888.

Confira abaixo a lista desses terremotos e tsunamis que provocaram verdadeiras tragedias ao territorio japonês, bem como as consequencias econômico sociais e cientificas destes eventos.

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